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Ji-Paraná(RO), 24/05/2022 - 10:35
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44 anos: mais uma breve contribuição para nossa história

Data da notícia: 2021-11-19 18:44:01
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Para a formação de um município é preciso que ele tenha população e território. No começo do século passado, tínhamos grandes áreas de floresta no Norte brasileiro para serem colonizadas para que mais pessoas viessem para cá. Em suma, tínhamos muito espaço e quase nenhum habitante. A história conta que os seringueiros foram os primeiros a chegar. Eles chegaram no auge do primeiro ciclo de extração da borracha (1879 e 1912). E vieram para ficar. Esse ato de coragem ou falta de escolha deu início a uma saga que está nas raízes de Ji-Paraná.

Contudo, é preciso não excluir dessa mesma história o fato que muitas comunidades indígenas, mesmo a contragosto, tiveram de se acostumar com a invasão de suas terras. Muito menos ignorar os males causados a elas por essa mesma colonização. Porém, se não fosse os brabos seringueiros terem a coragem de enfrentar os perigos de um lugar tão isolado e fincar os pés aqui, talvez não existíssemos como estado, tampouco como município. Foi preciso que alguém acreditasse que era possível.

Como escrevi certa vez, não é sempre que acontece, mas quando a determinação cruza com o acaso em algum ponto da floresta, e, os dois decidem seguir juntos, desse encontro pode nascer uma cidade. Essa crença movida à necessidade de sobrevivência foi crucial para que a sorte se encarregasse do resto. Quando a Coluna de Exploração chefiada por Cândido Mariano Rondon passou por aqui, ainda em 1909, decidiu que seria instalada uma estação telegráfica. Do barracão de Urupá fomos para a Estação Presidente Pena e, desde então, estamos fazendo história.      
Nossa fundação passa fácil dos 120 anos. E a impressão que tenho é que ainda não saímos dos primeiros capítulos. São páginas de um livro de memórias que precisam ser escritas todos os dias. Elas descrevem como nossas tradições e costumes foram mudando com o tempo e como personagens que abriram estradas, construíram pontes, ergueram casas e lutaram por nossa emancipação, vão caindo no esquecimento. Tenho me esforçado para manter essa memória viva e discutida. Muitas vezes escrevendo para quem nunca quer ler ou falando para quem não quer ouvir. Antes de mim Abel Neves (in memorian), Assis Canuto e João Vilhena.

No aniversário de 44 anos do município de Ji-Paraná, dos poucos que me conhecem, recebo com orgulho a nobre missão de continuar escrevendo sobre o que vi. Para um dia, quando forem montar o quebra-cabeça do passado, minha colaboração seja uma peça que vai fazer as novas gerações lembrarem como tudo se passou. O lado positivo disso é que a consciência ocorre na base da sociedade, ou seja, nas atitudes dos mais jovens, para que possam contribuir para a formação de pessoas preocupadas em continuar com a coragem e determinação do primeiro seringueiro.


Fonte: Jairo Ardull


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