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Ji-Paraná(RO), 24/05/2022 - 11:12
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Discuto religião, política e futebol

Data da notícia: 2021-11-05 18:53:47
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Em mais de trinta anos de jornalismo, aprendi que se discute religião, política, futebol ou outros temas que geram polêmicas ou discórdias. Caso contrário, poderia tirar o direito de as pessoas expressarem suas opiniões, mesmo que não as aceite integral ou parcialmente, desde que se saiba com quem está falando. Isso é um conceito profissional que dá direito ao contraditório. Mas em tempos de redes sociais, isso tem ficado cada vez mais difícil.

Antecipo que não sou contra as mudanças promovidas pela tecnologia, tampouco com a rapidez com que algum tema aparece e desaparece do debate público, sem chegar a nenhum resultado prático. Por isso, tenho evitado me posicionar sobre determinados assuntos, mesmo que tenha algum a dizer. O que pode parecer uma contradição com o que disse antes, aviso logo que meu silêncio é para aqueles que não querem ouvir o tenho a dizer.

Tantos anos de profissão me proporcionaram algum conhecimento sobre determinados assuntos, mas, principalmente, me ensinaram que no mundo real as coisas são bem diferentes. Hoje é possível ser contra ou a favor do desmatamento da Amazônia sem, ao menos, conhecer ou ter interesse em pesquisar os dados que permitam apontar que o número de árvores que foi ao chão é maior ou menor em relação a algum período.

O engajamento virtual foi a forma encontrada pelas pessoas de se manifestar, a favor ou contra sobre algum tema. Nada mais democrático.

Nunca se chegou a tantos lugares em tão pouco tempo como agora. E nunca se teve tanta participação popular, ou diria mundial, como agora. E nunca foi tão fácil se manifestar como nos tempos da Internet. Basta meia ou uma dúzia de palavras (ou apenas um emoticons) para se formar uma verdadeira onda que pode estraçalhar ou fazer crescer a reputação de alguém. Essa é uma realidade cada vez mais presente nos meios virtuais. E ao que parece veio para ficar. Porém, é preciso entender que por trás de cada aparelho ou equipamento existe uma pessoa com boas e más intenções.

E creio que o problema está nas más intenções. Uma frase atribuída a Thomas Jefferson já dizia que “A eterna vigilância é o preço da liberdade”.

Mesmo ela, sempre atual, ainda encontra dúvidas sobre a autoria do ex-presidente norte-americano. Mas não se pode tirar desse pensamento que é preciso estar alerta para muito do que chega até nós em forma de notícias ou opiniões. É notório que grupos de todas as matizes se articulam para defender seus direitos, como também conceitos que podem, algum momento, se chocar com as convicções de outras pessoas.

Diante de tanta liberdade, que em alguns casos, pode ir para nos tribunais, é preciso respeito às opiniões alheias. Os avanços ou os imediatismos na comunicação não podem jogar fora tantos anos de pensamento ético e profissional. Vou dar um exemplo pessoal. Nas manifestações de 2013, me deparei (aqui em Ji-Paraná) com uma jovem, entre tantas, que esbravejava contra os políticos e a favor da democracia e da nação. Oito anos depois, ela continua com as mesmas convicções, destilando ódio pelas redes sociais, sem conseguir mudar o mundo, nem ela mesma.


Fonte: Jairo Ardull


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