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Ji-Paraná(RO), 24/05/2022 - 11:13
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Sim, estamos vendo mais negros na tevê

Data da notícia: 2021-05-28 18:16:44
Foto: Arquivo Pessoal

É bem provável que o brasileiro comum não tenha se dado conta, mas aumentou a participação de negros em comerciais de tevê e o mesmo ocorre nos anúncios de mídias socais. Essa constatação, mais fruto de observação que pesquisa, veio durante minhas incontáveis trocas de canais nas horas em que assisto a todos os tipos de programas.

Somos 56% da população e não gostaria de tratar desse tema com a mágoa secular da discriminação. Prefiro destacar os avanços, não me refiro às conquistas dos últimos anos. Pois toda a vez que me lembro das cenas dos navios negreiros e do pelourinho fica difícil esquecer ou mesmo perdoar. Confesso que nesses momentos a memória da carne me trai.

O fenômeno não é de agora. Fazia tempo que se exigia das agências e do mercado a inclusão de mais pessoas negras no universo dominado por personagens de olhos claros e pele branca. A diversidade do povo brasileiro sempre foi um tema pouco explorado pelo mercado publicitário. Talvez, as pessoas ainda não tenham notado a mudança pelo simples fato de agora, também, se verem mais na tela da televisão, computador ou telefone. Isso passou a ser normal. Demorou.

Foi-se o tempo em que apenas negros que jogavam futebol ou eram destaques em outros esportes tinham espaço em campanhas publicitárias. A mudança tardia veio por mais por necessidade que da reavaliação de valores e preconceitos estruturais. O não-brancos, sejam eles mulatos, pardos e pretos formam uma grande parcela do mercado consumidor brasileiro que era sistematicamente negligenciada.

Vocês devem se lembrar que eram raras as participações de negros (como pessoas comuns) em comerciais de automóveis, motocicletas, planos de saúde (embora a rede Trasmontano só traga pessoas brancas), agências de viagens e por aí afora. A primeira impressão era que nunca chegaria o dia em que uma pessoa de cor sairia de uma agência com um carro zero quilômetro e ou compraria um plano de saúde. Se houve uma quebra de modelo é porque também ocorreram mudanças na forma de “nós negros” posicionarmos sobre o tema.

Não se trata de bater na mesma tecla da igualdade racial. Como o velho discurso do cortejo de vitimados pela escravidão. Isso não convence mais, embora seja um fato incontestável de nossa história. É preciso chegar mais perto do problema. Primeiro, temos que admitir que a discriminação existe e resiste em muitos setores. Segundo, as formas de combatê-la é ver o negro como negro, eleitor, contribuinte, consumidor, cidadão, sem esterótiopos.

Só assim, vamos aumentar a participação em cargos de liderança no mercado de trabalho, na magistratura, no Congresso, no jornalismo, que tão indevidamente usa o adjetivo “denegrir” para definir tudo que é ruim. Pouco se importando com seu real significado. Se os brancos mudaram a forma de apresentar os negros em comerciais, também podemos mudar o jeito de vermos a nós mesmos. *Preferi fugir da discussão semântica de preto ou negro. Sempre fui chamado de negro.

* Jairo Ardull - Jornalista e Escritor


Fonte: Jairo Ardull


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