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Ji-Paraná(RO), 24/05/2022 - 11:57
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ARTIGO
Leite derramado

Data da notícia: 2021-04-23 18:21:20
Foto: Assessoria/Divulgação
* Jairo Ardull

A atual crise do leite tem levado autoridades, laticínios, produtores, empresas varejistas de alimentos e consumidores, mais uma vez, a um debate em que não se apontam claramente culpados e sobram vítimas. Há 12 anos, houve a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) pela Assembleia Legislativa de Rondônia (Alero), para acompanhar e propor alternativas para a cadeia produtiva.

Durante os meses de CPI, os deputados estaduais se debruçaram em documentos e ouviram dezenas de pessoas dos mais diversos segmentos, para entender qual a razão de o produtor se sentir injustiçado pela forma de tratamento e o preço pago, inicialmente, pelo litro de leite. Não faltou quem se defendesse no longo processo que vai do úbere da vaca à prateleira dos supermercados. De lá pra cá, houve avanços, mas a realidade do setor ainda é desfavorável a quem produz, e tende a ser mais preocupante com a pandemia da Covid-19.

Para chegar ao relatório final, foram investigados o processo de produção, formação de preços, exportação, faturamento, desoneração de impostos na cadeia produtiva concedidos pelo governo estadual, e tantos outros pontos necessários para responder a uma só pergunta: por que o preço pago ao produtor de leite é tão baixo? Mesmo na época, não se chegou a conclusões que garantisse um preço mínimo permanente, senão o tema não seria novamente discutido, com novos riscos de greve.

Os primeiros resultados práticos da CPI foi a criação do Fundo de Investimento e Apoio ao Programa de Desenvolvimento da Pecuária Leiteira do Estado de Rondônia (ProLeite), em 2009, para incentivar a política de desenvolvimento da pecuária leiteira e a instalação do Conselho Paritário de Produtores e Indústrias de Leite do Estado de Rondônia (Conseleite), no mesmo ano. Por outro lado, o produtor foi orientado a filiar-se a associações e sindicatos para garantia de seus direitos.

Ao contrário do que se pensava, a sustentação da indústria láctea rondoniense não estava no leite pasteurizado ou longa vida (algo em torno de 7%), mas na produção de queijo, fabricado aqui para outros estados. Ainda sobre a formação do preço pago pelo consumidor, as empresas informaram que pouco mais de 20% dele são atribuídos à embalagem fornecida pela gigante sueca Tetra Pak, que ainda hoje não implantou uma política ambiental de coleta reversa, mesmo que insistentemente cobrada.

Neste déjà vu socioeconômico da indústria do leite, bom seria se as lições do passado fossem empregadas aqui e agora. Afinal, mesmo com algumas inovações, o processo da cadeia de produção continua o mesmo. Isso pouparia tempo e muitas discussões improdutivas. Como afirmou o presidente do Conseleite, Pedro Bertelli, nesta semana, em reunião na Alero, “Este é um problema que se arrasta há mais de 20 anos”. Então, por que não recomeçar agora? Senão, não adianta chorar o leite derramado, ou jogado fora por falta de preço. *Jairo Ardull - Escritor e jornalista


Fonte: 5cp1 20 - artigo.jpg


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